No dia 17 de setembro, ocorreu o Diálogo sobre violência e pentecostalismo, em São Paulo

No dia 17 de setembro, ocorreu o “Diálogo sobre violência e pentecostalismo”, aqui na cidade de São Paulo. Este diálogo contou com a presença do Vagner Marques, historiador, autor do livro Fé & crime: evangélicos e PCC nas periferias de São Paulo, e com a mediação de Marcos Almeida, membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária.

Agradecemos a todas e todos que participaram e/ou apoiaram a realização desse encontro.

Acompanhe a página do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária para obter informações sobre os próximos encontros e outras atividades.

Mantenham a chama acesa!!

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Lembramos que, em breve, ofertaremos o curso de extensão universitária “Diversidade religiosa em sala de aula”, aqui na cidade de São Paulo. Informações: espiritualidadelibertaria@gmail.com.

9ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa (25/9/2016), no Rio de Janeiro

No dia 25 de setembro (domingo) a partir das 11h, ocorrerá a 9ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, na Praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro.

Esse evento, organizado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), na sua nona edição, vem com o título “Liberdade religiosa: vamos dar o exemplo ao mundo”. Além de ser uma celebração à fé e acima de tudo ao respeito, vem no formato de festejo, culminará com shows e apresentações de diversos segmentos religiosos.

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Informações: caminhadadaliberdadereligiosa@gmail.com.

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Lembramos que, em breve, ofertaremos o curso de extensão universitária “Diversidade religiosa em sala de aula”, aqui na cidade de São Paulo. Informações: espiritualidadelibertaria@gmail.com.

A idolatria da Bíblia (por Angelica Tostes)

Gioacchino da Fiore (1130-1202) , abade cisterciense e filósofo místico, acreditava em três idades da história, e elas se modelavam de acordo com a Trindade. A primeira idade seria o período em que vivíamos sob a lei, caracterizado pela escravidão e temor, pertencente ao Pai. O segundo período seria o  vivemos, a graça, caracterizado pela fé e uma servidão filial, pertencente ao Filho. O terceiro e último estado seria o qual viveremos em um estado de graça mais que perfeita, caracterizado pela liberdade e caridade, que seria o tempo do Espírito. (Vattimo, 2004, p. 43). A leitura bíblica do Espírito é marcada pela caridade e sensibilidade, não mais pela literalidade do texto. É a era marcada pela contemplação e não mais pela “autoridade da letra”.

Vejo que há um movimento de religiosas e religiosos que tem buscado a leitura do Espírito, entretanto, como sempre, estão sofrendo perseguições das próprias comunidades de fé. A liberdade proporcionada pelo Espírito incomoda aqueles que estão apegados a doutrinas e fundamentos sem sentido, eles não suportam a liberdade! E por isso há também um movimento contra a leitura do Espírito:  são os idólatras.

Os ditos “defensores da ortodoxia” idolatram a Bíblia. Essa passa a ser o seu Deus, a quem prestam adoração e sacrifícios. Perseguem aqueles e aquelas que tem uma outra hermenêutica, senão aquela da “literalidade”. Dizem que estes não devem ser considerados cristãos, que devem ser banidos de suas convenções eclesiásticas, que estão profanando a fé. Quando, na realidade, aqueles que idolatram a Bíblia são os que estão adorando outros deuses, profanando o Espírito e a Vida, impondo uma só maneira de leitura e a colocando como centro da fé cristã. “Quando deslocamos Cristo do centro, substituindo-o pela Bíblia, perdemos a essência da fé e caímos em idolatria (substituindo o sentido pelo significado).” (Neto, 2016)

Para o filósofo e poeta alemão Novalis “não há nada como a letra para anular a sensibilidade (religiosa)” (1995, pp. 25-26).  Isso ressoa nas palavras do próprio Jesus “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida.” (Jo 5:39,40). Foca-se da Palavra e esquece de quem profere a Palavra. Anula-se a sensibilidade, e assim, o Espírito morre. Como bem disse Feuerbach  que nesses dias “a verdade é considerada profana e somente a ilusão é sagrada.”

“A religião não é marcada profundamente por sistemas teológicos, mas por poesias, contos, canções e rituais” (Neto, 2016). O filósofo Gianni Vattimo acredita, assim como Fiore, na hermenêutica da caridade e, como Novalis, na sensibilidade da fé, que é justamente a poesia e beleza da religião. E a partir dessas duas características de interpretação, a Bíblia se torna a libertação de muitas minorias oprimidas pela própria Bíblia. Deve haver uma conscientização geral de que “a única coisa que conta é a caridade; de fato, somente a caridade constituiu o limite e o critério da interpretação espiritual da Escritura” (Vattimo, 2004, p. 66).

Em uma entrevista o teólogo Walter Brueggemann foi indagado sobre o movimento LGBTQ e disse: “Eu sei que esses textos estão na Bíblia, mas a Bíblia é uma tradição dinâmica que está sempre em movimento para uma nova verdade”.  A contra-reposta foi que muitos temem em desobedecer a Bíblia quando o assunto é esse, e sua resposta não poderia ser mais lúcida: “Não é uma questão de obedecer a Bíblia – é sobre obedecer o Evangelho. O Evangelho é sobre o amor salvífico de Deus que quer restaurar toda a humanidade à plena comunhão. Para voltar a um texto antigo que já foi corrigido pela revelação de Deus em Jesus Cristo é simplesmente uma péssima manobra e uma pobre metodologia e uma irresponsabilidade teológica. Esses textos não são determinantes. Os  textos que são determinantes são aqueles que falam sobre o amor de Deus que tem sido mostrado para nós em Jesus. E não podemos comprometer isso.” (2015)

Quando não se tem uma leitura de caridade das Escrituras Sagradas o próprio evangelho fica comprometido. O Reverendo Luiz Carlos Ramos, em um dos seus belíssimos textos, diz que existem duas maneiras de ler as Escrituras Sagradas. A primeira seria lermos a letra morta, e daí surgiria o legalismo, fundamentalismo, inquisidores e terroristas. A segunda maneira seria optarmos pela mediação do espírito que vivifica, relendo o texto e o que transcende a própria letra, que é a  “força geradora de viva, dinâmica, que se atualiza e se encarna em cada nova geração.”

Os idólatras da Bíblia se tornaram os fariseus dos tempos bíblicos. Não enxergam a dinâmica do Espírito, a dinâmica da fé, pois só leem a letra morta. Por terem medo de perderem a própria “identidade cristã”, oprimem o diferente, tentam moldar a todos para se tornarem iguais, pois assim, sem a divergência de opiniões, sua fé se torna imutável. Os fundamentalistas não compreendem o básico, que “a Bíblia revela a busca humana pelo Sagrado e, por isso, apresenta várias ideias sobre Deus. A Bíblia é plural, não é unívoca” (Neto, 2016). E apresenta também várias interpretações do texto, o que é excelente para a reflexão e ação prática nos dias de hoje.. “O espírito sopra na direção que deseja, o seu é o reino da liberdade e fixar-lhe limites conclusivos seria um modo indevido de restringi-lo” (Vattimo, 2004, p. 45).

Lembro da resposta do meu tio José Thomaz Filho, teólogo e poeta católico, quando fui demitida do colégio que fui contratada por “não ter vivência da fé católica”, citando Marcos 9,38-41 comenta:

“[…] As instituições têm o grande problema de querer controlar Deus, de querer encaixotá-lo. Mas Deus não é encaixotável! […]
Nessa passagem de Marcos vemos que aquele que rejeita acha-se o dono da verdade, e acha que o outro é um atrevido, inoportuno, um atropelador, um herege, um lobo em pele de cordeiro que precisa ser calado, rechaçado. Esquece-se de que a Verdade é Jesus, e não tem dono. Esquece-se de que Ele olha o coração e não a aparência. Esquece-se de que a questão não é mais de adorar a Deus no monte da Samaria ou em Jerusalém (Jo 4,20-24), mas em espírito e verdade.
O processo é sempre esse: primeiro me convenço, não importa por qual razão, de que o outro é diferente, e convenço-me sem ouvi-lo, sem dar-lhe a chance de se revelar; depois coloco-lhe o rótulo de diferente, que leio como inimigo e intolerável, e contra o próprio Deus; e posso, então, eliminá-lo. […] Como Jesus continua não compreendido!… Não sendo respeitado! Sendo perseguido! Sendo crucificado!”

Jesus é crucificado a cada palavra de opressão,a cada violência simbólica, ironia, calúnia contra aos que leem a Bíblia na perspectiva do Espírito. Aos que sofrem a perseguição dos legalistas e idólatras da Bíblia: Espero que a violência do discurso não os atinja e desanime. E que se lembrem que  a única intolerância que devemos ter é aquela que vai de encontro com a de Cristo. Intolerância dos idólatras da Bíblia, dos “peritos na Lei”. Como diz o São Brabo no seu texto “Primeiro passo: Viva a intolerância contra os religiosos”:

“O alvo da nossa intolerância deve ser outro, o alvo que foi também o de Jesus: os que passeiam pelo mundo crendo ter o aval inequívoco e a credencial indelével do Verdadeiro Deus©. Aqueles que, nas palavras de Paulo, estão “persuadidos de serem guias dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutores de ignorantes, mestres de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade” – mas que “ensinam os outros sem ensinarem a si mesmos” (2006).

Assim como Gioacchino da Fiore “profetizou” séculos atrás a respeito da história da salvação, que a Escritura realmente sofra uma transformação “espiritualizante”. Que a revelação bíblica seja além do “seguir literalmente” as Escrituras, mas que adquira um sentido pleno para ser aplicado à nossa realidade. Como bem disse Vattimo “não mais o texto e sim o espírito da revelação; não mais servos e sim amigos; não mais o temor ou a fé e sim a caridade; e, talvez, também não mais a ação e sim a contemplação.” (2004, p. 45)

“De uma coisa eu desconfio com força: Toda religião nasce como poesia e morre como dogma. Dogma é letra morta. Poesia é vida pura. Mas quem lê poesia como quem lê bula de remédio fica doente.

Se bem me lembro, Jesus preferia as parábolas. Jeito atravessado de fazer teologia: converter a vida em poesia e devolver a poesia pra vida.”

Reverendo Luiz Carlos Ramos

Bibliografia

Brabo, Paulo. “Primeiro passo: Viva a intolerância contra os religiosos”, 2006. Disponível em: <www.baciadasalmas.com/1-viva-a-intolerancia>. Acesso em: 22 de julho de 2016.

Brueggemann, Walter. “It’s Not a Matter of Obeying the Bible”: 8 Questions for Walter Brueggemann”, 2015. Disponível em : <www.faithstreet.com/onfaith/2015/01/09/walter-brueggemann-church-gospel-bible/35739>. Acesso em: 21 de julho de 2016.

Neto, Adair. “Como ler a Bíblia?” 2016. Disponível em: <furoa.wordpress.com/2016/07/09/como-ler-a-biblia>. Acesso em: 19 de jullho de 2016.

_____. “Heresias mal redigidas”, 2016. Disponível em: <furoa.wordpress.com/2016/07/25/heresias-mal-redigidas>. Acesso em: 25 de julho de 2016.

Ramos, L. C. “Jeito atravessado de fazer teologia”, 2016. Disponível em <www.luizcarlosramos.net/jeito-atravessado-de-fazer-teologia>. Acesso em: 21 de julho de 2016.

Vattimo, Gianni. Depois da cristandade. Rio de Janeiro: Record, 2004.

* Angelica Tostes é teóloga, membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária, e articuladora da Rede Fale SP. E-mail: angelicatostes@gmail.com.
Fonte: <angeliquisses.wordpress.com/2016/07/22/a-idolatria-da-biblia>.

Curso de extensão “Diversidade religiosa em sala de aula” (pesquisa)

Nós, do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária, em parceria com uma universidade, ofertaremos o curso de extensão “Diversidade religiosa em sala de aula”, aqui na cidade de São Paulo. Se você tem interesse em participar, responda a seguinte pesquisa.

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Público-alvo: professores e demais profissionais da educação básica e comunidade, graduados e graduandos na área da educação.

Objetivos: Propor uma atuação pedagógica voltada à promoção e valorização da diversidade religiosa, com foco em práticas democráticas, na disseminação do conteúdo dos direitos humanos e na orientação de práticas de combate ao racismo e à intolerância religiosa. O curso pretende fornecer subsídios para a realização de práticas pedagógicas e aplicação de materiais didáticos e objetos de aprendizagem voltados à consecução da cultura de convivência pacífica e diálogo inter-religioso.

  • Módulo 1: Diversidade religiosa e direitos humanos
  • Módulo 2: Intolerância religiosa no Brasil e em sala de aula
  • Módulo 3: Elementos para promover e valorizar a diversidade religiosa
  • Módulo 4: Diversidade religiosa nos materiais didáticos e objetos de aprendizagem
  • Módulo 5: Diversidade religiosa no planejamento das aulas

Em breve, abriremos a chamada para inscrições.

Informações: espiritualidadelibertaria@gmail.com.

No dia 10 de setembro, ocorreu o Diálogo sobre diversidade religiosa em sala de aula, em São Paulo

No dia 10 de setembro, ocorreu o “Diálogo sobre diversidade religiosa em sala de aula”, na E. E. Prof. Milton Cruzeiro, na Cid. A. E. Carvalho, na zona leste da cidade de São Paulo. Esse diálogo contou com a presença da antropóloga Janaína de Figueiredo, coordenadora da ACUBALIN, do historiador Allison Tiago, professor da SEE-SP; e da Lúcia Goulart e do Silas Fiorotti, membros do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária, que mediaram o diálogo.

Agradecemos a todas e todos que participaram e/ou apoiaram a realização desse encontro. Lembramos que realizaremos outros encontros com professoras e professores na região da zona leste de São Paulo.

Acompanhe a página do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária para obter informações sobre os próximos encontros e outras atividades. No dia 17 de setembro, ocorrerá o “Diálogo sobre violência e pentecostalismo”.

Mantenham a chama acesa!!

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Diálogo sobre violência e pentecostalismo (17/9/2016), em São Paulo

Coletivo por uma Espiritualidade Libertária convida para:

“Diálogo sobre violência & pentecostalismo”
17/9 (sábado) a partir das 9h30

com o historiador Vagner Marques (pesquisador da PUC-SP e autor do livro “Fé e crime: evangélicos e PCC nas periferias”), e mediado por Marcos Paulo Almeida (filósofo e membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária).

O encontro iniciará pontualmente às 9h30 no salão paroquial da Igreja Imaculada Conceição, na Av. Brigadeiro Luis Antônio, 2071, São Paulo, SP, próximo ao metrô Brigadeiro (o local possui convênio com estacionamento).

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A participação é gratuita, basta confirmar a presença por e-mail e contribuir com quitutes, frutas ou bebidas que serão partilhados.

Informações: espiritualidadelibertaria@gmail.com.
#espiritualidadelibertaria

Diálogo sobre diversidade religiosa em sala de aula (10/9/2016), em São Paulo

Coletivo por uma Espiritualidade Libertária convida para:

“Diálogo sobre diversidade religiosa em sala de aula”
10/9 (sábado) a partir das 14h30

com a antropóloga Janaina de Figueiredo (coordenadora da ACUBALIN),
e com o historiador Allison Tiago (professor da SEE-SP),
e mediado por Lucia Goulart e Silas Fiorotti (membros do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária).

O encontro iniciará pontualmente às 14h30 na E.E. Prof. Milton Cruzeiro, na Av. das Alamandas, 36, Cidade A.E. Carvalho, na zona leste da cidade de São Paulo (próximo à Av. Campanella e à Praça das Professoras, próximo ao metrô Itaquera).

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Divulgue também este encontro na sua escola. Veja arquivo para impressão.

Este encontro, organizado pelo Coletivo por uma Espiritualidade Libertária, é o primeiro de uma série de encontros direcionados aos professores e às professoras da educação básica, mas abertos a todos e todas interessadas no tema. (Lembramos que ofertaremos, em breve, aqui na cidade de São Paulo, o curso de extensão “Diversidade religiosa em sala de aula” em parceria com uma universidade.)

A participação é gratuita, basta confirmar a presença por e-mail e contribuir com quitutes, frutas ou bebidas que serão partilhados. Serão emitidos certificados de participação.

Informações: espiritualidadelibertaria@gmail.com
#espiritualidadelibertaria