“De onde a ministra Damares tirou este número?”, nota da Associação Brasileira de Antropologia

“De onde a ministra Damares tirou este número?”, nota da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) sobre a declaração da ministra Damares Alves, no dia 31/05/2019, em Buenos Aires.

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A Associação Brasileira de Antropologia (ABA) vem por este meio manifestar a sua indignação e o seu repúdio perante a declaração da senhora Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a pastora evangélica Damares Alves, por ocasião da 33ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos e Chancelarias do Mercosul e Estados Associados (RAADH), realizada entre os dias 29 e 31 de maio na cidade de Buenos Aires. A ministra declarou publicamente que haveria entre os povos indígenas no Brasil 1.500 casos de recém-nascidos enterrados vivos todos os anos por seus pais e familiares.

Trata-se de uma afirmação sem fundamento algum, sem qualquer base científica. Como a ministra chegou a este número? Como estabeleceu a relação entre o suposto número e a causa morte atribuída? A partir de que fontes? Com certeza não foi obtida junto à Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI/MS), a fonte mais qualificada e confiável hoje disponível no país, na esfera pública, sobre as ações e a situação de saúde individual e coletiva da população indígena no Brasil.

Segundo dados disponíveis no Relatório Anual de Gestão (RAG) da SESAI, relativo à 2018, que cobre o período de 01/01/2018 a 30/09/2018, extraído em 10/01/2019, dos 381 óbitos registrados, 330 são óbitos de crianças menores de um ano cuja causa foi investigada e notifica no Sistema de Informação de Atenção à Saúde Indígena (SIASI). Não há registro de óbito relacionado com a alegada causa apontada pela ministra.

No RAG de 2017, a SESAI informa a ocorrência de 472 casos de óbitos infantis (crianças menores de 01 ano) nesse ano, sendo investigados 321 óbitos. Os dados foram extraídos do SIASI em janeiro de 2018 e cobriu 33 Distritos Sanitários Especial Indígena (DSEI). Também não há indicação de que tenha ocorrido na circunstancia indicada pela senhora ministra.

De outro lado, não chegou ao nosso conhecimento que a ministra Damares Alves tenha se manifestado preocupada com os efeitos de decisões de colegas que coordenam as ações e políticas do governo do presidente Jair Bolsonaro, e seus efeitos na saúde e nos direitos humano da população indígena no país. Nos referimos aos cortes orçamentários no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS), ao atraso no pagamento dos funcionários nos DSEI, na falta de medicamentos e outros recursos básicos de atenção, e no cancelamento do acordo de cooperação entre Brasil e Cuba, por intermédio do Programa Mais Médicos, que afetou diretamente o atendimento nas aldeias nas Terras Indígenas. Mais de três centenas de médicos cubanos tiveram de retirar-se das ações de atenção básica.

Recentemente veio a público a ocorrência de mortes de crianças no Parque Indígena do Xingu, do povo Kaiabi, por causas evitáveis por ações de atenção básica. Na Terra Indígena Yanomami já há registros de ocorrências semelhantes.

Como pesquisadores e cidadãos, manifestamos nossa indignação e repúdio em relação às declarações e omissões da ministra Damares. E que ela venha a público esclarecer as bases científicas da afirmação feita em Buenos Aires e sua intenção.

Brasília, 11 de junho de 2019.
Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e sua Comissão de Assuntos Indígenas (CAI)

Esta nota foi publicada originalmente na página da ABA.

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Coletivo por uma Espiritualidade Libertária lançou o informativo Diálogos & Espiritualidade que aborda a questão da intolerância religiosa. Para saber sobre o projeto Diversidade Religiosa em Sala de Aula, leia os textos “Por que falar de religião em sala de aula?” e “É preciso combater a intolerância religiosa na educação básica”.

Informações (sobre cursos, palestras e oficinas) e contatos: <espiritualidadelibertaria@gmail.com>.

“Que o poder religioso não justifique qualquer tipo de abuso!”, nota das Católicas pelo Direito de Decidir

Segue abaixo a nota emitida pelas Católicas pelo Direito de Decidir:

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Nos últimos dias, o Brasil se deparou com uma série de denúncias de abuso sexual contra o médium João de Deus. Mais de 500 denúncias já foram feitas ao Ministério Público. Além dos abusos, João também está sendo investigado por lavagem de dinheiro.

O episódio não é isolado. Inúmeras são as notícias de abuso sexual e de estupro cometidos por líderes religiosos do mundo todo, incluindo padres católicos e pastores evangélicos. As religiões, ao contrário do que pregam, também têm sido espaço de violência e silenciamento de vítimas, estas, em sua maioria, mulheres.

A vida e a dignidade das mulheres devem ser respeitadas em todos os espaços sociais, políticos e também religiosos. Ao contrário do que alguns setores da sociedade têm propagado, a religião não é a salvaguarda da Nação, mas, sim a Democracia, que deve garantir o respeito a toda e qualquer pessoa.

Fundamentados no Estado laico, os valores democráticos de respeito à diversidade e combate a qualquer tipo de intolerância devem ser os pilares de todos os governos comprometidos com o bem-estar social.

Nós, Católicas pelo Direito de Decidir, nos indignamos com o uso da fé e da religiosidade para a perpetuação da violência contra as mulheres. Que todo e qualquer relato de abuso seja investigado e punido, e que haja acolhimento e solidariedade para com as mulheres diante da dor da violência e do silenciamento.

Católicas pelo Direito de Decidir
19/12/2018

Fonte: <http://catolicas.org.br/novidades/que-o-poder-religioso-nao-justifique-qualquer-tipo-de-abuso/>.

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Coletivo por uma Espiritualidade Libertária lançou o primeiro número do informativo Diálogos & Espiritualidade (2017) que aborda a questão da intolerância religiosa. Esta publicação está no âmbito das atividades da Campanha Contra a Intolerância Religiosa e do projeto Diversidade Religiosa em Sala de Aula. Para saber mais sobre a Campanha Contra a Intolerância Religiosa, leia o texto “É preciso dizer não à intolerância religiosa no Brasil” de Amauri Alves e Silas Fiorotti. E para saber sobre o projeto Diversidade Religiosa em Sala de Aula, leia o texto “Por que falar de religião em sala de aula?” de Silas Fiorotti.

Membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária defende tese na USP

No dia 06 de março, Silas Fiorotti, membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária, defendeu tese de doutorado em Antropologia Social na Universidade de São Paulo (USP). A tese, intitulada A Igreja Universal e o espírito da palhota: análise dos discursos “religiosos” e “políticos” da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no sul de Moçambique, em breve estará disponível na Biblioteca Digital de Teses da USP.

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Silas Fiorotti coordena o projeto de extensão Diversidade religiosa em sala de aula do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária. Para saber mais sobre este projeto, leia os textos “Por que falar de religião em sala de aula?” e “Qual deve ser o lugar da religião na educação básica?

No dia 01 de fevereiro, ocorrerá o evento “Diálogos Emergentes – Juventudes e Religião”

No dia 1 de fevereiro a partir das 14h, ocorrerá o evento “Diálogos Emergentes – Juventudes e Religião”, no auditório do CENPEC, aqui na cidade de São Paulo. Compareçam!

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Venha debater conosco questões que têm impactado a vida de jovens em grandes centros urbanos na constituição de suas crenças, relações sociais e subjetividades na relação com as religiões. Para isso, o Programa Jovens Urbanos convida especialistas que têm pesquisado e desenvolvido ações em diálogo com as temáticas e as questões juvenis.

O evento é gratuito, só é solicitada a confirmação da presença no formulário que pode ser acessado no link: http://bit.ly/2DnW3Rn.