Na próxima quarta-feira (04) às 19h00, na Livraria da Vila aqui em São Paulo, haverá lançamento e distribuição gratuita do Guia da Copa do Mundo dos Direitos Humanos.

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Arquivo do autor:Espiritualidade Libertária
Por uma espiritualidade com bibliotecas comunitárias!!

Apoiamos as iniciativas de criação de bibliotecas comunitárias. Na cidade de Duque de Caxias (RJ), o ColetivoRJ mantém o Projeto Canaan que possui uma biblioteca comunitária. Na zona sul da cidade de São Paulo (SP), a iniciativa Café Filosófico da Periferia está organizando a biblioteca comunitária da Casa de Cultura M’Boi Mirim. Apoiem também estas iniciativas, doem algum tempo e alguns livros em bom estado!
Conheça um pouco sobre a história de Marcos Almeida
Neste sábado (24) às 12h tem Marcha das Vadias (Sampa2014)
Conheça a revista Espiritualidade Libertária
Conheça a revista Espiritualidade Libertária:
Neste domingo (25) às 10h tem Ato público pelos mortos da AIDS
Neste domingo (25) às 10h00 tem Ato público pelos mortos da AIDS aqui em São Paulo. Veja abaixo o cartaz e a carta aberta das entidades envolvidas na organização do ato:
“Carta aberta: Convite para ato público pelos mortos da AIDS” (por KOINONIA, Sefras, Pastoral da AIDS, e Projesp) – 21/5/2014
O ato público tem por finalidade dar visibilidade à Vigília Internacional sobre a AIDS, coordenada pela Rede Mundial de Pessoas que Vivem com o HIV, uma das maiores e mais antigas campanhas de mobilização popular para promover a sensibilização sobre o HIV no mundo. Começou no ano de 1983 e se celebra a cada terceiro domingo de maio sob a liderança de organizações comunitárias, sanitárias e religiosas de 115 países. A Vigília, tendo em conta que milhões de pessoas vivem atualmente com o vírus, é uma intervenção importante para promover a solidariedade mundial, reduzir o estigma e a discriminação e dar esperança às novas gerações.
Em três décadas de lutas, avanços e conquistas pela erradicação do HIV/AIDS. Estigma, discriminação e preconceito ainda estão presentes, vitimizando pessoas que vivem com vírus. Devido a isso os diagnósticos continuam sendo tardios e as pessoas que vivem com o vírus não acessam os serviços de saúde para o próprio tratamento.
Em São Paulo, diferentes credos religiosos, junto a Pastoral da AIDS – organismo criado pela Conferência dos Bispos do Brasil, Sefras, Projesp e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço se unem, no mês de maio, para trazer à memória os amigos, parentes, conhecidos vítimas da epidemia e transformar a memória em compromisso.
Em 2014 o tema para reflexão é “É preciso manter o foco”. Manter o foco na AIDS é lutar pelo acesso ao tratamento e prevenção; é superar o preconceito e discriminação, é se indignar com mortes que poderiam ser evitadas; é promover o diagnóstico precoce e auxiliar na adesão do tratamento e viabilizar os serviços.
Para tanto, convidamos pessoas que vivem e convivem com HIV\Aids, comunidades religiosas, organizações governamentais e não governamentais a estarem conosco dia 25 de maio, no Elevado Costa e Silva (Minhocão), das 10h às 16h para manifestarem suas opiniões e compromissos com os familiares que perderam seus entes queridos, vitimados pela indiferença, intolerância e preconceitos.
Neste domingo (25) às 17h tem Café Filosófico da Periferia
Por uma espiritualidade que protesta!!
É preciso dizer não à intolerância religiosa no Brasil (por Amauri Alves e Silas Fiorotti) – 27/1/2014
Vivemos no Brasil, considerado por muitos um país com liberdade religiosa consolidada em que diferentes grupos religiosos convivem pacificamente. No entanto, as coisas não são bem assim.
A história do Brasil nos mostra que praticantes de religiosidades de origem africana e afro-brasileira foram perseguidos nas visitações ao território brasileiro do Tribunal da Santa Inquisição (séculos XVII e XVIII). Na Constituição do Império, de 1824, o catolicismo é instituído como religião oficial e os templos não-católicos são proibidos, outras religiões ficam restritas aos espaços domésticos ou sem aparência de templo. Somente em 1891, com a Constituição Republicana, são instituídas a separação entre Estado e Igreja e a liberdade de culto. Contudo, tanto no Código Penal de 1890 como no de 1940, são mantidos os delitos de charlatanismo e curandeirismo pelos quais praticantes das religiões afro-brasileiras eram acusados.
Hoje, em 2014, ainda presenciamos tentativas de desqualificação da cultura afro-brasileira e das religiões afro-brasileiras. Há uma resistência em colocar em prática a lei 10.639 de 2003, que torna obrigatório o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas. E mesmo quando esta lei é colocada em prática, as religiões afro-brasileiras raramente são mencionadas por conta da oposição de alguns grupos religiosos, especialmente dos evangélicos. Alguns estudantes evangélicos recusaram-se a ler até mesmo obras clássicas da literatura brasileira, como Macunaíma de Mário de Andrade, por conta da religião. Além da baixa qualidade do nosso ensino básico, estes acontecimentos são decorrentes de uma cultura de guerra religiosa.
Constata-se, nas últimas décadas, um acirramento dos ataques de grupos evangélicos contra as religiões afro-brasileiras e seus adeptos (ver livro Intolerância religiosa: impactos do neopentecostalismo no campo religioso afro-brasileiro organizado por Vagner Gonçalves da Silva e publicado pela Editora da USP em 2007). Poucos ataques são efetivamente combatidos e denunciados como casos de intolerância religiosa. Estes ataques são incentivados e feitos no âmbito dos cultos, na literatura de guerra ou batalha espiritual e outros meios de divulgação. Foram noticiados alguns casos de agressões físicas contra adeptos das religiões afro-brasileiras; ataques às cerimônias religiosas afro-brasileiras em locais públicos e aos símbolos dessas religiões; e ataques aos símbolos da herança africana no Brasil.
Mãe Gilda (Gildásia dos Santos e Santos), do Axé Abassá de Ogum, em Itapuã, é um símbolo da luta contra a intolerância religiosa. Em 2000, ela faleceu de um infarto fulminante em consequência dos ataques sofridos por grupos evangélicos. Além de ter sua imagem usada indevidamente por uma igreja, teve seu terreiro invadido por um grupo de evangélicos dispostos a “exorcizá-la”. Este caso levou a Câmara Municipal de Salvador a transformar a data de seu falecimento (21/1/2000) em Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, em 2004. Posteriormente, em 2007, o mesmo dia tornou-se também o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Mas o que o cidadão comum pode fazer diante de tais demonstrações de intolerância? Assim como em outros casos de violência e intolerância, o ideal é não se calar. É importante que os casos de intolerância religiosa sejam denunciados. O Disque 100, número da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, pode ser usado para denunciar casos de intolerância religiosa. Nenhum cidadão deve ser constrangido por causa de sua crença ou ausência dela. Nenhum cidadão deve sofrer qualquer tipo de ameaça ou perseguição ao abandonar uma religião ou crença. Por outro lado, nenhum cidadão tem o direito de vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso. Os religiosos e não-religiosos devem ser respeitados em suas crenças ou descrenças. Os templos e outros locais de culto devem ser respeitados. Os símbolos religiosos em locais públicos devem ser respeitados. As cerimônias religiosas e festas religiosas em locais públicos devem ser respeitadas. Denunciem qualquer tipo de intolerância religiosa.
Destacamos as ações de diversos grupos e organizações por todo o Brasil contra a intolerância religiosa: o Movimento Contra a Intolerância Religiosa da Bahia, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) do Rio de Janeiro, a Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço, o Instituto da Tradição e Cultura Afro-brasileira (INTECAB), a Comissão de Assuntos Religiosos Afrodescendentes de São Paulo, o Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo, a União das Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil, a Comissão de Defesa das Religiões Afro-Brasileiras (CDRAB) do Rio Grande do Sul, a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), a Rede Ecumênica da Juventude (REJU), o Fórum do Diálogo Religioso de São Bernardo do Campo, a Associação Brasileira de Apoio a Vítimas de Preconceito Religioso (ABRAVIPRE), o Comitê Interreligioso do Estado do Pará (COMITER), a Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania (ABLIRC), a Comissão de Direito e Liberdade Religiosa (OAB/SP), entre outros. Diversos religiosos e não-religiosos estão unidos no combate à intolerância religiosa no Brasil, mostrando que a convivência pacífica e respeitosa entre distintas crenças e descrenças é possível.
Nós do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária nos juntamos a esta empreitada contra a intolerância religiosa.
Neste mês de janeiro de 2014, realizamos nossa primeira Campanha Contra a Intolerância Religiosa. Nos dois fins de semana que antecederam o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, realizamos uma ação que consistia em tirar fotos nas ruas da cidade de São Paulo de pessoas que estivessem dispostas a nos apoiar carregando cartazes de apoio e respeito às diversas religiões. Também pedimos, através de nossa página no Facebook, que as pessoas enviassem suas fotos com frases que demonstrassem seu respeito à diversidade religiosa.
Nas ruas, diversas pessoas se dispuseram a participar cedendo sua imagem. Contudo, observamos que muitas pessoas não entendiam bem o sentido do respeito e da tolerância à religião alheia. Algumas pessoas, quando indagadas a qual religião pertenciam, diziam pertencer à mesma religião à qual estavam prestando respeito através da escolha do cartaz. Os cartazes de respeito a religiões, cultos, símbolos e adeptos das religiões afro-brasileiras não chamavam tanta atenção, ou não eram tão bem recebidos pelo público de forma geral. Os cartazes de respeito a festas e símbolos religiosos eram melhor aceitos.
A campanha também serviu para mostrar que as concepções de “tolerância” e “respeito” ainda são um tanto incompreendidas, ou não são levadas às últimas consequências. Até mesmo afirmar que respeita-se os adeptos de uma outra religião pode ser interpretado como algo comprometedor para a sua própria crença ou padrão ético. Por isso, alguns afirmaram que respeitavam com ressalvas. De qualquer forma , esperamos que esta campanha tenha sensibilizado diversas pessoas no sentido de eliminar um pouco mais a intolerância religiosa presente no Brasil, seja mostrando que as religiões podem e devem dialogar, seja mostrando que a tolerância e o respeito nunca são demais, e que sempre podemos respeitar mais, tolerar mais, amar mais, mesmo sem perder a nossa identidade religiosa.
* Amauri Alves é redator e tradutor, bacharel em Letras, e membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária.
** Silas Fiorotti é cientista social, mestre em Ciências da Religião, doutorando em Antropologia Social, e membro do Coletivo por uma Espiritualidade Libertária.







