No Rio de Janeiro um juiz decretou que, a partir de agora, as religiões de matriz africana não devem mais ser consideradas como religiões e sim como meros cultos ou costumes. Sua postura discriminadora e elitista veio revelar como, no Brasil, ainda existem preconceitos religiosos e raciais. Vivemos em um país no qual, como dizia Millor, “perante a lei, todas as pessoas são iguais. Só que algumas são mais iguais do que outras”. O fato é que a sentença do juiz foi tão absurda e injusta que, em todo o país, suscitou reações contrárias e ele foi obrigado a reconhecer o seu erro e se retratar.
Não vale a pena recorrer a argumentos sociológicos ou antropológicos para provar que o Candomblé, a Umbanda, a Jurema e quaisquer outras manifestações espirituais de tradição negra ou indígena têm comunidades organizadas, tradições veneráveis, leis próprias, lugares de culto público e, portanto, nada ficam a dever a qualquer outra corrente religiosa. É triste o fato de que um juiz ouse pronunciar uma sentença sem conhecimento de causa. Pelo que deu a conhecer, não sabia nem o que são as religiões de matriz africana, nem estudou corretamente o conceito sociológico e antropológico de religião. Menos ainda desconfiou que estava adentrando em um terreno delicado, no qual teologia e sensibilidade criam labirintos de criatividade que expressam amor e ligam céu e terra.
Se no Brasil não houvesse tanta discriminação religiosa e as religiões afro-brasileiras não fossem vítimas frequentes de agressão violenta, poder-se-ia até interpretar a sentença do juiz de forma diferente. Poderíamos até imaginar que ele quis elogiar as religiões afro e não diminuí-las. Suas palavras poderiam significar que o Candomblé, a Umbanda e as outras expressões da tradição afrodescendente não são apenas religiões. São religiões sim e ninguém pode negar isso, mas vão além das estruturas e da organização religiosa porque se constituem como verdadeiros caminhos espirituais e místicos que fazem bem a todas as pessoas e expressam uma sabedoria que une tradição, cultura e inserção no mundo atual, como profecia social de um mundo mais justo e igualitário.
Pessoalmente, considero-me uma testemunha disso porque sou um monge beneditino (católico) e padre. E devo confessar: cada vez que vou a qualquer culto ou manifestação do Candomblé, vivo uma experiência intercultural e interreligiosa, mas vai além disso. O Candomblé me conduz a uma vivência profundamente mística e espiritual. Sempre que tive qualquer contato com uma manifestação religiosa afro-descendente, senti no coração o apelo para ser mais humano e isso para mim significou que o Espírito Divino baixou e eu pude compreender e, ao menos um pouco, vivenciar a experiência inefável que o apóstolo Paulo viveu quando escreveu: “Já não sou eu que vivo. É o Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).
Essa experiência de ser possuído pelas mais diversas expressões da divindade (Orixás, Inquices, ou Caboclos) eleva a religião ao estatuto de um caminho de espiritualidade e mística que nem sempre algumas das religiões consideradas pelo tal juiz como as clássicas têm sabido testemunhar.
Mesmo se o juiz voltou atrás em sua sentença, é dever de toda pessoa justa e mesmo de toda comunidade que se considere de fé, seja qual for a sua tradição religiosa, ser solidária umas com as outras e testemunhar de que Deus não assinou contrato de exclusividade com ninguém e o Espírito Divino é como a ventania. “Sopra onde quer. Tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é a pessoa que nasce do Espírito” (Jo 3, 8).
Fonte: Página do CEBI.
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“Nota Pública de Repúdio” (por Fórum Diversidade Religiosa da Paraíba / Saulo Gimenez Ferreira Ribeiro) – 03/6/2014
“O Fórum Diversidade Religiosa da Paraíba, vem publicamente repudiar as ações de vandalismo e vilipêndio, orquestradas e conduzidas por uma minoria fanática e intolerante de supostos “evangélicos”, sob a batuta do “pastor” Luiz Lourenço (vulgo Pororoca), conforme relata o padre Querino Pedro, administrador da Paróquia Santo Afonso, na cidade de Carrapateira, região de Cajazeiras, que escarneceram de forma vil e pejorativa, segundo as palavras do padre: “Mijaram em cima da imagem, jogaram gasolina e queimaram Nossa Senhora. Dizem que os católicos estão condenados ao inferno”.

Este ato colabora com o preconceito advindo de “lideranças” religiosas que promovem a discriminação e o desrespeito à diversidade em nosso estado. O Fórum também se solidariza com as pessoas da paróquia e religião que sofrem ao ver seus símbolos sagrados sendo vilipendiados e execrados, onde reforçamos a ajuda e solidariedade.
Este Fórum que funciona na real militância, onde é construído por/para todos(as) de diversas vertentes religiosas, ateus/agnósticos e membros da sociedade civil organizada, esta, feita escutando demandas reais e trabalhando com as minorias, longe de ardis onde grupos ou pessoas levem fama, pois a peleja é de todos(as), clama ao Excelentíssimo Governador do Estado da Paraíba, o Sr. Ricardo Coutinho, que se prontifique à aprovação do projeto já protocolado pela criação do Comitê Estadual de Diversidade Religiosa da Paraíba sob o número: 0001135 de 29/01/2014, onde poderemos realmente trabalhar em extinguir atitudes como essa, em nosso estado. Lutar contra Intolerância Religiosa e a favor do Respeito à Diversidade Religiosa.”

Assinem a petição para a criação do Comitê Estadual de Diversidade Religiosa da Paraíba.
Por uma espiritualidade sem agrotóxicos!!

No intuito de sensibilizar a sociedade e pressionar as autoridades quanto ao grave problema do uso dos agrotóxicos, a Rede FALE promove a campanha “FALE em defesa da vida sem agrotóxico”. O objetivo principal é que o emprego dos agrotóxicos [proibidos pela ANVISA] seja terminantemente proibido em todo território nacional.

Apoiamos esta campanha e pedimos que assinem o abaixo-assinado que será enviado à presidente Dilma Rousseff.
Monólogos que perturbam: silêncios e ausências na Teologia da Libertação hoje (por Maryuri Mora) – 16/5/2014

Já faz algum tempo que a Teologia da Libertação está em crise. Incômodas vozes de diferentes sujeitos têm interpelado esse paradigma que caracterizou de maneira unívoca o opressor, o oprimido e a si mesmo as condições da libertação. O desafio tornou-se cada vez maior diante da realidade cuja complexa dinâmica cultural e política impede categorizações homogêneas. As vozes, os rostos e as narrativas destes sujeitos sempre existiram e agora simplesmente se fizeram mais evidentes nos interstícios de um mundo que se reconfigurou. Pode a Teologia da Libertação dar conta desta realidade? Pode ela reconhecer as assimetrias de poder no interior do discurso libertador e os limites das categorias analíticas que foram privilegiadas? Essas e outras vozes continuam gritando que não. Não houve e não há uma interlocução real com estes sujeitos. Isso ficou evidente no primeiro Encontro de Juventudes e Espiritualidades Libertadoras de 01 a 04 de Maio, em Fortaleza.
Haverá esperança para a que outrora fora uma teologia viva e encarnada nas lutas cotidianas do continente? Esse encontro acendia uma pequena esperança. A ideia surgiu entre alguns jovens participantes do Congresso Continental de Teologia em São Leopoldo, em outubro de 2012. Nesse congresso se comemorava 50 anos do Concílio Vaticano II e 40 anos da publicação da obra de Gustavo Gutiérrez como texto “inaugural” da Teologia da Libertação. O objetivo era mirar o presente e o futuro da América Latina a partir dos caminhos percorridos, reconhecendo os avanços e retrocessos, mas principalmente apontando os desafios e novas tarefas para a reflexão teológica do continente.
Diante da esmagadora presença “dos” teólogos da libertação e seus temas, surgiu a inquietude pelos jovens, sobre as novas gerações e seu lugar na produção teológica contemporânea, assim como na vida da Igreja na América Latina. A ADITAL (Agência de Informação Frei Tito de Alencar para América Latina e Caribe), então, assumiu esta iniciativa e preparou o encontro com o apoio de outras organizações religiosas, ecumênicas e acadêmicas.E, como esperado, a expectativa era grande. O primeiro encontro de Juventudes e Espiritualidade Libertadora representava o momento oportuno e um espaço fértil para aprender mutuamente, compartilhar as experiências e trajetórias dessa espiritualidade que a grande maioria de nós participantes vivemos em nossos contextos locais, motivados e motivadas pela fé e pelo sonho de outros mundos possíveis. Queríamos e esperávamos um diálogo, uma costura conjunta entre a veterana geração de teólogos (com uma gritante ausência de teólogas) e as novas gerações. Tivemos, ao contrário, um monólogo.
Mais de 300 jovens de diferentes partes do Brasil, com nossas experiências, bandeiras, vivências concretas de espiritualidade e de reflexão teológica, estávamos sentados escutando aos “dinossauros” – como várias vezes foram chamados durante o encontro Leonardo Boff, Frei Betto, Marcelo Barros e João Batista Libânio (falecido recentemente e que havia sido convidado ao encontro) –, sim, o mesmo esquema de poder e autoridade que não deixa de me incomodar nesses espaços: eles ensinam, nós aprendemos. Uma vez mais!
Sem dúvida alguma reconhecemos a importância de Frei Betto, Marcelo Barros e Leonardo Boff, figuras emblemáticas do contexto teológico e político brasileiro, da América Latina e do mundo. Teólogos que caminharam desde sua juventude por estreitas sendas da luta por libertação, assumindo a fé e o caminho de Jesus como força motivadora e como compromisso ético e político para a defesa dos pobres deste continente. Sim, não podemos negar, suas vidas e obras nos inspiraram. Devolveram a muitos e muitas a fé e a esperança em meio à dor, à fome, à barbárie em nossa terra.
Por essa razão, o processo de escuta e aprendizagem não pode se deter. A dimensão pedagógica do encontro, o intercâmbio das experiências de luta – compromisso com a sacralidade da terra, com a defesa dos povos originários, com a luta por direitos de diversas comunidades pelas questões sexuais, étnicas e raciais –, e a intenção de articulá-las e resignificá-las teologicamente deveria ter sido uma dinâmica de via dupla.
Hoje se trata de outro momento, ainda que os desafios permaneçam. As consequências do “progresso” e da “história” continuam produzindo vítimas, gerando miséria e exclusão, de maneiras cada vez mais complexas. Nossos jovens negros estão sendo assassinados nas periferias do Brasil[1]. São mulheres e homens heterossexuais, lésbicas, gays, travestis, transexuais… Tantos nomes e rostos cujos sonhos estão sendo apagados prematuramente aqui e em toda América Latina, porque, além do capitalismo, o racismo, o machismo e a discriminação para com a comunidade LGBTT são pecados que estamos longe de ter assumido com responsabilidade e muito menos de superá-los.
Esse cenário nos recorda que o imperativo libertador continua. Dificilmente “libertação” consegue ou conseguirá ser “o” paradigma de nosso século. Não obstante, enquanto construímos e imaginamos novos paradigmas, a libertação constitui-se ainda nosso caminho cristão e, principalmente, nossa vereda mais humana.
Sabemos atualmente dos equívocos, dos limites analíticos e das ausências que “novos” sujeitos denunciam haver no interior da luta por libertação. Surpreendentemente estas mesmas ausências se mantêm nas palavras destes teólogos. E o que pensar? Trata-se de um desconhecimento da produção teológica das mulheres, gays, lésbicas, indígenas, negros e negras nas últimas décadas? Será? Suspeito que não, mas que corresponde ao contrário, a uma negligência consciente em relação a esses sujeitos, a seus atrevimentos teológicos e a seus lugares ocupados nas igrejas.
Esses sujeitos são ocultados sobre as genéricas categorias de “povo” e “pobres”. Esse pobre sem rosto, sem cor nem raça, e, principalmente, sem sexualidade, é uma metáfora que usurpa a realidade, e é por isso mesmo ideológica. Seu uso constante – quase como um mantra – continua reproduzindo discursos e perspectivas acomodadas, masculinas e hierárquicas. Recorda-nos também o privilégio que a análise econômica mantém no discurso da libertação. O encontro foi, assim, um espaço para comprovar o que advertia Marcella Althaus-Reid[2] que o heterossexismo e a homofobia, assim como certos tipos de racismo e misoginia, são estruturas que permaneceram intactas dentro das teologias da libertação.
Nem os sujeitos nem os temas foram mencionados nas principais conferências, ainda que estivessem presentes nos grupos de trabalho que incluíam gênero e corpo, negritude, política partidária, ecologia, liturgia popular, indígenas, movimentos socais etc. Na organização do evento, parecia haver uma abertura e um reconhecimento destes temas e de sua relevância teológica para repensar a espiritualidade e a juventude na América Latina, porém, houve clara ruptura quando se passou a palavra aos convidados de honra. Nesse momento, nem sequer houve um vocabulário minimamente respeitoso e inclusivo. A teologia feminista brilhou por sua ausência. Nomes, trajetórias e a produção teológica de Ivone Gebara, Nancy Cardoso, Marcella Althaus-Reid, Maricel Mena, André Musskopf, Maria Pilar Aquino, Ada MaríaIsasi Díaz, Cláudio Carvalhaes e tantos e tantas foram totalmente ignoradas.
Na introdução à apresentação de Leonardo Boff, alguém nos desafiou com entusiasmo a nos lançarmos como jovens e assumirmos os novos caminhos teológicos e espirituais do século. Paradoxos desses encontros geracionais. O desafio era realmente nosso para eles. Quando deixarão de fingir que nós temos sido apenas consumidores, e não interlocutoras e interlocutores? Nós vivemos e pensamos o divino. Também pensamos a igreja, pensamos a sociedade desde nossos corpos, nossas realidades e suas múltiplas marcas. Fazer teologia não é um ato de consumir ideias, senão de criá-las e recriá-las. NÓS FAZEMOS TEOLOGIA. Não vale de dada o “desafio” se em um evento como este nos dão as costas e nos ignoram.

Atualmente nós enfrentamos, assim como eles há 40 anos, rígidas instituições religiosas. Mas pior ainda, além de lutar dentro de dessas instituições e contra seus modelos autoritários, também nos chocamos de frente com essa ambígua tradição hegemônica da Teologia da Libertação, com seus autores e seus restritos temas. Poderiam ter ouvido com atenção à teóloga dominicana Geraldina Céspedes no Congresso Continental de Teologia (2012) quando sabiamente afirmou: “Debemos acompañar los cambios o por lo menos no crear obstáculos para ellos em el flujo de la vida que está aconteciendo”[3]. Mas não há ouvidos nem disposição.
É importante destacar, não obstante, que estes diferentes sujeitos da teologia, ocultos compulsivamente sobre categorias abstratas e homogêneas, continuam provocando e criando rupturas nesse discurso hegemônico. Isso ficou claro nas perguntas e nas muitas vozes que se levantaram para reclamar e criticar dentro e fora dos auditórios. Ah, como é esperançoso ver e tecer saberes nas margens, resistir desde os rincões, nas murmurações e nos gestos de nossos corpos incomodados!
Seria injusto terminar com a sensação de que tudo foi negativo. Não foi. Valeu à pena o encontro, a celebração, as alianças forjadas e as inspirações compartilhadas entre jovens que vivem a fé como compromisso político cotidiano. Valeu à pena pela rica experiência da oficina ministrada por nosso querido André Musskopf sobre Corporeidade e Espiritualidade. Espaço que afirmou o corpo como “fundamento, método e autoridade”. Momentos concretos de uma teologia encarnada, viva, plural.
Finalmente, como nossa juventude somada à nossa fé e desejo de um mundo melhor nos impulsa a seguir sonhando e imaginando, opto pela espiritualidade, tal como veementemente definida por Daniel Souza, meu amigo e companheiro de caminhada na REJU (Rede Ecumênica de Juventude): Uma espiritualidade libertadora é aquela que vivemos na encruzilhada, no compromisso radical de luta por justiça e na festa.
(i) Na encruzilhada de nossos cotidianos latino-americanos, com as marcas que cruzam nossos corpos e contextos. A realidade da juventude em sua luta por sobreviver em sociedades que lhe negam a vida. (ii) Motivada por um compromisso de luta radical por justiça. Cara inspiração à Teologia da Libertação, seu início nas bases e a vida como ato primeiro. (iii) Em festa, não somente por sermos jovens (já que na festa o tempo e o espaço são transgredidos), mas também porque nela irrompe o inesperado, se cruzam os corpos, se rompe a produção… E porque gostamos de festa!
* Maryuri Mora é metodista, teóloga, doutoranda em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e integrante da REJU-SP.
Texto publicado originalmente em: http://www.gemrip.com.ar/?p=1077.
Tradução: Humberto Ramos.
Fonte: Página da REJU.
Notas:
[1] De cada tres asesinatos cometidos en Brasil, dos son de jóvenes negros entre 15 y 24 años de edad, según lo muestra el Mapa de la Violencia (2013) elaborado por el Centro Brasileiro de Estudios Latino-Americanos (Cebela).
[2] Althaus-Reid, Marcella. Desmitologizando a teologia da libertação. Reflexões sobre poder, pobreza e sexualidade. In: SUSIN, Luiz Carlos (org.). Teologia para outro mundo possível. São Paulo: Paulinas, 2006.
[3] http://www.ihu.unisinos.br/noticias/514362-inicia-o-congresso-continental-de-teologia-com-jon-sobrino.
REJU na Semana de Oração pela Unidade de Cristãs e Cristãos (2014) – 29/5/2014

A Rede Ecumênica de Juventude (REJU) busca, por meio de ações e gestos concretos, instigar na sociedade brasileira, principalmente entre @s jovens, debates que promovam o enfrentamento às opressões e injustiças.
Por ocasião da Semana de Oração Pela Unidade das Cristãs e dos Cristãos (SOUC) [de 1 a 8 de junho de 2014] – que abordará a temática presente na carta de I Cor 13: “Acaso Cristo está dividido?” – a REJU levantará o debate sobre o direito à diversidade e liberdade religiosa, numa reafirmação do compromisso com o enfrentamento à intolerância religiosa e garantia do Estado Laico, um dos eixos de atuação da rede para os anos de 2013-2014.
Este é o segundo ano consecutivo em que a REJU participa da Semana de Oração, que é promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e pelo Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). A iniciativa da REJU não visa apenas o fortalecimento da nossa fé, mas, principalmente, nos ensina a conviver em nossa casa comum e nos leva à construção de um mundo mais justo.
Acaso Cristo está dividido? Esta é a pergunta que o apóstolo Paulo dirige aos Coríntios após falar sobre a plenitude do amor. Não há como dissociar o amor pleno concebido pela fé no Cristo ressuscitado das ações que nos levam a respeitar e amar o nosso próximo, que é diferente. O verdadeiro amor ultrapassa todas as barreiras dos preconceitos e opressões, ele não enxerga nada além d@ outr@, e é por isso que ele é verdadeiro. Não é conveniente, mas, sim, libertador. O verdadeiro amor se concebe ao viver com a liberdade do outro.
Ao abraçar a temática da Semana de Oração, a REJU também busca nos colocar diante de nossa vivência de espiritualidade. Uma pergunta pode nos instigar neste sentido: o modo como professamos o Cristo nos leva para caminhos de intolerância e fundamentalismos ou nos coloca no seguimento do amor e da prática da justiça? Ou: Acaso o modo que professamos o Cristo divide a nossa oikoumene, nos colocando mais sobre a arrogância e desejo de uma fé hegemônica ou nos lança à humildade do caminho solidário e mais humano, “nas trilhas do mundo, a caminho do reino”?
Com estas questões, a REJU entra nesta mobilização! Faça da Semana de Oração pela Unidade das Cristãs e dos Cristãos um espaço de reflexão, de celebração da fé e compromisso com uma sociedade mais fraterna.
Pelo direito à diversidade e liberdade religiosa!
Fonte: Página da REJU.
Cabe ao juiz determinar o que é religião? (por Rudolf von Sinner) – 27/5/2014

Ficamos todos impactados pela notícia de que a Justiça do Rio de Janeiro teria definido que Umbanda e Candomblé não são religião. Causou repúdio e estranheza. De imediato, importa, como cidadão, religioso e acadêmico, solidarizar-se com as religiões de matriz africana, pois sem dúvida é a elas devida toda proteção legal. Qualquer tipo de discriminação precisa ser rejeitado e tratado com as medidas legais cabíveis.
Num segundo pensar, surge a questão: cabe a um juiz definir o que é religião? E por que o faria? Li com atenção a decisão do juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17.ª vara federal do Rio de Janeiro. O juiz não julgou ainda o mérito da causa, apenas rejeitou uma liminar que determinasse de imediato a retirada de vídeos disponíveis no Youtube, mostrando cenas da Igreja Universal do Reino de Deus que denominam entidades divinas afro-brasileiros de demônios, algo já conhecido como praxe daquela igreja.
Tomou o juiz sua decisão baseada em três elementos. Estando em jogo as liberdades de opinião, de reunião e de religião, não viu o juiz afetadas tais liberdades de forma irreversível ou constituindo-se na exibição dos vídeos um perigo imediato que justifique a concessão da liminar. As reuniões dos “cultos afro-brasileiros” (entre aspas na decisão), afirma, não seriam perturbadas pelos vídeos. Os vídeos seriam “de mau gosto”, mas “manifestações de livre expressão de opinião”. Por fim, “ambas as manifestações de religiosidades”, ou seja, a “crença afro-brasileira” e a “Igreja Universal” não constituiriam religião, por, alega o juiz, não disporem de “um texto-base (Corão, Bíblia etc.)”, nem de “estrutura hierárquica” e nem de um “Deus a ser venerado”. Curiosamente, o juiz decide que nem as religiões de matriz africana, nem a Igreja Universal do Reino de Deus seriam religiões, provavelmente querendo eliminar qualquer existência de “malferimento de um sistema de fé”. Ora, o juiz erra claramente nessa conclusão. Ambas possuem estrutura hierárquica e divindades, a Igreja Universal utiliza a Bíblia. Assim, já pelos critérios do juiz, seriam religiões. Os próprios critérios, no entanto, são altamente questionáveis: por que uma religião precisaria, para se configurar religião, de um Deus pessoal? E de um escrito sagrado, quando, nas religiões de matriz africana, a oralidade e ancestralidade garantem a continuidade da prática e do conhecimento religioso?
E por que um juiz deverá julgar o que é e o que não é religião? Na Alemanha, por exemplo, os tribunais tendem a não opinar sobre o conteúdo da religião, mas apenas sobre seu comportamento. Assim, reconheceu o Estado alemão as Testemunhas de Jeová como comunidade religiosa de direito público, com amplos privilégios, pois apesar de taxarem o próprio Estado de Satanás, seu real comportamento não teria se comprovado como sendo ilegal ou anticonstitucional. Penso esse critério ser de utilidade neste caso: em vez de especular sobre a definição de religião, o juiz deveria conter-se a verificar se o comportamento real de uma comunidade religiosa em relação a outra se configura como disseminação de intolerância, discriminação e ódio. E aqui, sim, a linha entre liberdade religiosa e discriminação é tênue e exige análise, reflexão, debate e, onde preciso, coibição.
*Rudolf von Sinner, pastor luterano, é professor de Teologia na Faculdades EST em São Leopoldo/RS, pesquisador do CNPq e membro da Comissão Teológica do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
Fonte: Página do CONIC.
Conheça um pouco da trajetória de Railton de Sousa Guedes
Lançamento do Guia da Copa do Mundo dos Direitos Humanos
Na próxima quarta-feira (04) às 19h00, na Livraria da Vila aqui em São Paulo, haverá lançamento e distribuição gratuita do Guia da Copa do Mundo dos Direitos Humanos.

Visite: Copa do Mundo dos Direitos Humanos.
Por uma espiritualidade com bibliotecas comunitárias!!

Apoiamos as iniciativas de criação de bibliotecas comunitárias. Na cidade de Duque de Caxias (RJ), o ColetivoRJ mantém o Projeto Canaan que possui uma biblioteca comunitária. Na zona sul da cidade de São Paulo (SP), a iniciativa Café Filosófico da Periferia está organizando a biblioteca comunitária da Casa de Cultura M’Boi Mirim. Apoiem também estas iniciativas, doem algum tempo e alguns livros em bom estado!



