REJU na Semana de Oração pela Unidade de Cristãs e Cristãos (2014) – 29/5/2014

20140530-023430-9270334.jpg

A Rede Ecumênica de Juventude (REJU) busca, por meio de ações e gestos concretos, instigar na sociedade brasileira, principalmente entre @s jovens, debates que promovam o enfrentamento às opressões e injustiças.

Por ocasião da Semana de Oração Pela Unidade das Cristãs e dos Cristãos (SOUC) [de 1 a 8 de junho de 2014] – que abordará a temática presente na carta de I Cor 13: “Acaso Cristo está dividido?” – a REJU levantará o debate sobre o direito à diversidade e liberdade religiosa, numa reafirmação do compromisso com o enfrentamento à intolerância religiosa e garantia do Estado Laico, um dos eixos de atuação da rede para os anos de 2013-2014.

Este é o segundo ano consecutivo em que a REJU participa da Semana de Oração, que é promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e pelo Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI). A iniciativa da REJU não visa apenas o fortalecimento da nossa fé, mas, principalmente, nos ensina a conviver em nossa casa comum e nos leva à construção de um mundo mais justo.

Acaso Cristo está dividido? Esta é a pergunta que o apóstolo Paulo dirige aos Coríntios após falar sobre a plenitude do amor. Não há como dissociar o amor pleno concebido pela fé no Cristo ressuscitado das ações que nos levam a respeitar e amar o nosso próximo, que é diferente. O verdadeiro amor ultrapassa todas as barreiras dos preconceitos e opressões, ele não enxerga nada além d@ outr@, e é por isso que ele é verdadeiro. Não é conveniente, mas, sim, libertador. O verdadeiro amor se concebe ao viver com a liberdade do outro.

Ao abraçar a temática da Semana de Oração, a REJU também busca nos colocar diante de nossa vivência de espiritualidade. Uma pergunta pode nos instigar neste sentido: o modo como professamos o Cristo nos leva para caminhos de intolerância e fundamentalismos ou nos coloca no seguimento do amor e da prática da justiça? Ou: Acaso o modo que professamos o Cristo divide a nossa oikoumene, nos colocando mais sobre a arrogância e desejo de uma fé hegemônica ou nos lança à humildade do caminho solidário e mais humano, “nas trilhas do mundo, a caminho do reino”?

Com estas questões, a REJU entra nesta mobilização! Faça da Semana de Oração pela Unidade das Cristãs e dos Cristãos um espaço de reflexão, de celebração da fé e compromisso com uma sociedade mais fraterna.

Pelo direito à diversidade e liberdade religiosa!

Fonte: Página da REJU.

Cabe ao juiz determinar o que é religião? (por Rudolf von Sinner) – 27/5/2014

20140528-185333-68013091.jpg

Ficamos todos impactados pela notícia de que a Justiça do Rio de Janeiro teria definido que Umbanda e Candomblé não são religião. Causou repúdio e estranheza. De imediato, importa, como cidadão, religioso e acadêmico, solidarizar-se com as religiões de matriz africana, pois sem dúvida é a elas devida toda proteção legal. Qualquer tipo de discriminação precisa ser rejeitado e tratado com as medidas legais cabíveis.

Num segundo pensar, surge a questão: cabe a um juiz definir o que é religião? E por que o faria? Li com atenção a decisão do juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17.ª vara federal do Rio de Janeiro. O juiz não julgou ainda o mérito da causa, apenas rejeitou uma liminar que determinasse de imediato a retirada de vídeos disponíveis no Youtube, mostrando cenas da Igreja Universal do Reino de Deus que denominam entidades divinas afro-brasileiros de demônios, algo já conhecido como praxe daquela igreja.

Tomou o juiz sua decisão baseada em três elementos. Estando em jogo as liberdades de opinião, de reunião e de religião, não viu o juiz afetadas tais liberdades de forma irreversível ou constituindo-se na exibição dos vídeos um perigo imediato que justifique a concessão da liminar. As reuniões dos “cultos afro-brasileiros” (entre aspas na decisão), afirma, não seriam perturbadas pelos vídeos. Os vídeos seriam “de mau gosto”, mas “manifestações de livre expressão de opinião”. Por fim, “ambas as manifestações de religiosidades”, ou seja, a “crença afro-brasileira” e a “Igreja Universal” não constituiriam religião, por, alega o juiz, não disporem de “um texto-base (Corão, Bíblia etc.)”, nem de “estrutura hierárquica” e nem de um “Deus a ser venerado”. Curiosamente, o juiz decide que nem as religiões de matriz africana, nem a Igreja Universal do Reino de Deus seriam religiões, provavelmente querendo eliminar qualquer existência de “malferimento de um sistema de fé”. Ora, o juiz erra claramente nessa conclusão. Ambas possuem estrutura hierárquica e divindades, a Igreja Universal utiliza a Bíblia. Assim, já pelos critérios do juiz, seriam religiões. Os próprios critérios, no entanto, são altamente questionáveis: por que uma religião precisaria, para se configurar religião, de um Deus pessoal? E de um escrito sagrado, quando, nas religiões de matriz africana, a oralidade e ancestralidade garantem a continuidade da prática e do conhecimento religioso?

E por que um juiz deverá julgar o que é e o que não é religião? Na Alemanha, por exemplo, os tribunais tendem a não opinar sobre o conteúdo da religião, mas apenas sobre seu comportamento. Assim, reconheceu o Estado alemão as Testemunhas de Jeová como comunidade religiosa de direito público, com amplos privilégios, pois apesar de taxarem o próprio Estado de Satanás, seu real comportamento não teria se comprovado como sendo ilegal ou anticonstitucional. Penso esse critério ser de utilidade neste caso: em vez de especular sobre a definição de religião, o juiz deveria conter-se a verificar se o comportamento real de uma comunidade religiosa em relação a outra se configura como disseminação de intolerância, discriminação e ódio. E aqui, sim, a linha entre liberdade religiosa e discriminação é tênue e exige análise, reflexão, debate e, onde preciso, coibição.

*Rudolf von Sinner, pastor luterano, é professor de Teologia na Faculdades EST em São Leopoldo/RS, pesquisador do CNPq e membro da Comissão Teológica do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).

Fonte: Página do CONIC.

Por uma espiritualidade com bibliotecas comunitárias!!

20140525-141735.jpg

Apoiamos as iniciativas de criação de bibliotecas comunitárias. Na cidade de Duque de Caxias (RJ), o ColetivoRJ mantém o Projeto Canaan que possui uma biblioteca comunitária. Na zona sul da cidade de São Paulo (SP), a iniciativa Café Filosófico da Periferia está organizando a biblioteca comunitária da Casa de Cultura M’Boi Mirim. Apoiem também estas iniciativas, doem algum tempo e alguns livros em bom estado!

Neste domingo (25) às 10h tem Ato público pelos mortos da AIDS

Neste domingo (25) às 10h00 tem Ato público pelos mortos da AIDS aqui em São Paulo. Veja abaixo o cartaz e a carta aberta das entidades envolvidas na organização do ato:

20140523-152132.jpg

“Carta aberta: Convite para ato público pelos mortos da AIDS” (por KOINONIA, Sefras, Pastoral da AIDS, e Projesp) – 21/5/2014

O ato público tem por finalidade dar visibilidade à Vigília Internacional sobre a AIDS, coordenada pela Rede Mundial de Pessoas que Vivem com o HIV, uma das maiores e mais antigas campanhas de mobilização popular para promover a sensibilização sobre o HIV no mundo. Começou no ano de 1983 e se celebra a cada terceiro domingo de maio sob a liderança de organizações comunitárias, sanitárias e religiosas de 115 países. A Vigília, tendo em conta que milhões de pessoas vivem atualmente com o vírus, é uma intervenção importante para promover a solidariedade mundial, reduzir o estigma e a discriminação e dar esperança às novas gerações.

Em três décadas de lutas, avanços e conquistas pela erradicação do HIV/AIDS. Estigma, discriminação e preconceito ainda estão presentes, vitimizando pessoas que vivem com vírus. Devido a isso os diagnósticos continuam sendo tardios e as pessoas que vivem com o vírus não acessam os serviços de saúde para o próprio tratamento.

Em São Paulo, diferentes credos religiosos, junto a Pastoral da AIDS – organismo criado pela Conferência dos Bispos do Brasil, Sefras, Projesp e KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço se unem, no mês de maio, para trazer à memória os amigos, parentes, conhecidos vítimas da epidemia e transformar a memória em compromisso.

Em 2014 o tema para reflexão é “É preciso manter o foco”. Manter o foco na AIDS é lutar pelo acesso ao tratamento e prevenção; é superar o preconceito e discriminação, é se indignar com mortes que poderiam ser evitadas; é promover o diagnóstico precoce e auxiliar na adesão do tratamento e viabilizar os serviços.

Para tanto, convidamos pessoas que vivem e convivem com HIV\Aids, comunidades religiosas, organizações governamentais e não governamentais a estarem conosco dia 25 de maio, no Elevado Costa e Silva (Minhocão), das 10h às 16h para manifestarem suas opiniões e compromissos com os familiares que perderam seus entes queridos, vitimados pela indiferença, intolerância e preconceitos.

Fonte: KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço.